domingo, 10 de março de 2013

O CADERNO - TOQUINHO

O CADERNO DE TOQUINHO - MÚSICA QUE ME FEZ DESCOBRIR O PAPEL COMO AMIGO
Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...
Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...(2x)

quarta-feira, 6 de março de 2013

ALMAS FLUTUANTES


Vejo coisas estranhas por onde caminho,
Parece algo de outro mundo...
Não sei dizer precisamente como decifrá-las,
Sei apenas que não são pessoas...
Todavia parecem pessoas.

Algo me pertuba, eu preciso saber o que é.
Não sei se é vivo, só sei que não me toca...
Não é morto, pois não me assusta...
Tudo o que fazem é vagar ao meu lado.

Onde estou? isso também não sei...
O que será que eu faço aqui neste lugar?
Será que estou sonhando?
Acordado sei que não estou,
Pois não estou de malas e não viajei...

O que são essas coisas que me rodeiam?
Onde será que estou caminhando?
Devo estar no mundo dos mortos,
Pois sinto muita paz neste lugar...
Para que eu vim ao mundo dos mortos?
E por que essas almas flutuam?

Não consigo entender o que me é estranho,
Só sei que devo acordar, pois não estou morta.
Ou será que estou e ainda não sei?
Há algo estranho... Uma destas almas está...
Querendo falar comigo, por que será?
Se sei que não vou ouvir...

Há algo estranho comigo... pois estou...
Começando a entender uma alma...
Será que é um aviso que vou morrer?
- Não! você já está morto.

Duci Medeiros

TRANSFORMAÇÃO


Rocha que o tempo transforma
Pacientemente, demoradamente.
Homem que o tempo transforma
Insistentemente, silenciosamente.

Cor, consistência e firmeza
Que os agentes da natureza
Modificam com certeza
a rocha mais persistente.

Caráter, desejos e vontades
Constituídas de pedras indestrutíveis
Que com quedas e sofrimentos
Transforma dor e desalento
Em homens de verdade.

Basta uns olhares introspectivos
de confronto, desafios
Perfís de homens montanhas
Muitas vezes grotescos,
Ás vezes apenas pó, outras concreto.

Pobre ilusão, a vida destrói toda certeza de um amanhã
E constrói toda humildade de hoje.
Mas os homens montanhas
Não percebem a indiferença do tempo
Não importa quando, tudo se transforma.

Duci Medeiros

MENDIGO


Corpo jogado,
Laje fria  é berço dourado
Jornal velho é lençol de cetim.

Teto, as estrelas
Banco da praça é sala de jantar.
Lixo não dormido é verdadeiro banquete.

Mundo, não foi o nascer, mas jogar na vida.
Destino, não foi o crescer, mas atropelar-se pela ruas.
Rua, que menino abrigou.
braços de mãe injusta
Colo de pai severo
E abraço de vida marginal.

Criança, que choro desprezou,
Que sorriso cínico aprovou.
Menino, voz áspera pela gíria,
Olhar duro pelo mundo
Andarilho e sem rumo.

Sou criança?
Não sou marginal da sociedade
Desprezo nos olhos,
Descrença nas mentes
Medo nas almas.

Sou a esperança sem destino
De um país sem menino.
Sou o futuro do Brasil
Um país juvenil sem jovens,
Mas cheio de mendigos
De pão...
Amor...
Educação...
E futuro.


VENENO


Veneno é a cor que me sufoca
O branco papel como fel
A palavra muda de amor
O olhar opaco da paixão

Veneno é a caneta na boca
Sem se aproximar da palavra
O olhar perdido na lembrança
O chão abismo dos sonhos.

Sou o veneno de mim
Crio o fel que me mata
Calo a palavra muda
Para não olhar meu eu.

Duci Medeiros

domingo, 17 de fevereiro de 2013

DUAS FACES

Há um lado bom em mim:
Um desejo incontrolável de ser mau,
Uma vontade de querer tudo,
não restar nada para ninguém.
Há um lado mau em mim:
Uma cordial e incessante vontade de dar,
Se entregar ao mundo, não restar nada de mim.
Há um lado triste em mim:
Em versos e frases na poesia
Quando a folha fica branca.
Há um lado radiante em mim:
Abro os braços para a aurora,
Escancaro o sorriso para o dia,
Iluminando toda minha alma.
Há um lado mudo em mim:
Quando calo para o injusto
E falo de amor para quem entende somente de ódio.
Há um lado vulgar em mim:
Desnudo o corpo para o mar
E banho-me nas águas  deixando-as
Me acariciarem pensando em tuas mãos.
Há um lado desnorteado em mim:
A incerteza, o delírio, a dúvida,
Tudo adocicado com o medo de amar.
Há um animal em mim:
Na solidão uma pantera,
Na multidão uma donzela,
No quarto uma fera.
Há um lado lógico em mim:
Sei que sou muitas.
Há um lado morto em mim,
Às vezes penso que esse lado sou eu.

Duci Medeiros

domingo, 10 de fevereiro de 2013

SOU LUA

Quero encontrar a luz da lua
Dentro de minha alma,
Assim vou poder irradiar
A magia do amor em luas cheias,
A renovação em luas novas,
O recolhimento espiritual em luas minguantes
E a harmonia e prosperidade em luas crescentes.

Quero refletir os sonhos dos mortais em minhas sombras,
Manipular a eternidade dos mares em minha energia,
Influenciar as colheitas dos grãos em minhas transformações
E guiar os navegantes em minhas trajetórias.

Sou  mulher
Guiada em minha feminilidade pela lua.
Tenho todas as suas fases em meu corpo,
Sou mensalmente sua representante.

Na lua crescente sou a menina em formação,
Meu útero e ovários alimentam e possibilitam a vida.
Represento a juventude, vitalidade, antecipação da vida
E o potencial de crescimento - a semente do "vir a ser".
É o despertar de Eros, da vida, sexualidade,
Rica em possibilidades e fertilidade.

Na lua cheia sou a jovem aberta a procriação.
Fértil fêmea no cio.
Me conecto com a terra,
Com energia para nutrir e acalentar.
Tenho o cheiro da paixão
E o gosto do prazer.


Na lua minguante sou a idosa.
Encerro em mim a sabedoria e os segredos revelados pelo tempo.
Minha energia tanto pode ser canalizada para destruir ou renovar.
Tenho necessidade de mudança.
O tempo é meu, caminho consciente do poder da mudança.
Sei olhar para dentro, introspectiva e renovadora.
Sei olhar para fora e distinguir as forças da vida e do tempo.

E no ciclo da vida, renasço
Recrio meu caminho
E reconstruo meu corpo
Através do sangue ou da vida.

DUCI MEDEIROS