Somos mais do que os nossos erros fazem de nós.
Somos a união dos vícios, virtudes e tentativas vãs.
Somos o que os outros vêem e a fresta que se reflete aos nossos olhos.
Somos mais ainda, somos o intervalo entre o tu e o eu.
A cada queda, uma cicatriz no corpo,
A cada erro, a alma é marcada.
Entre tropeços e acertos
Vamos avançando na construção de nossa humanidade.
Todos sabem que é mais fácil
Curar as feridas do corpo
Do que as necroses da alma.
Ninguém deve desfolhar o espírito
Desmembrar o ego
Desacreditar o eu.
Deixe seu corpo cair, quebrar, desfalecer
Mas não permita macular sua alma.
O corpo é matéria, renova-se, reconstrói-se e renasce
Mas a alma é eternidade.
DUCI MEDEIROS
sexta-feira, 17 de maio de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
CONVERSA MACABRA
Hoje, ao por do sol quando as luzes solares ensombreciam pelo tempo e pela neblina minha consciência fugia suavemente, meu corpo inébrio a balançar na rede e a mente a divagar entre sonho e realidade.
Uma voz insistente em minha mente chama minha atenção, dialoga com a incerteza da razão e da loucura e possibilita a vagueza do silêncio entre as palavras. Na intrépida necessidade de falar, a mente observa o que foi dito, com a ânsia da resposta e a construção do pensamento, escuto, observo e analiso o que foi dito. Mas quem fala? qual origem destas palavras que parecem tão familiares a alma?
No processo de análise do real e imaginário que faz parte da personalidade de toda escritora, ouço as engrenagens de meu cérebro trabalharem e encontro, de um lado a certeza do sonho e, de outro o jogo da realidade. Nesta balança vence a curiosidade sobre a familiaridade das palavras e o reconhecimento dos sentidos que são, meio que confirmados pelo entrever da resposta. O que escuto?
Escuto a voz da morte a dialogar sobre a certeza e as razões da vida, entrevejo o diálogo de meu cérebro racional e de minha alma emocional. Neste jogo de pega-pega, de fuga e busca, vence o encontro com a verdade da consciência.
A voz que fala não é minha, é da inébrio sombra da indísível, uma certa figura que fica a espreita da vida em busca das almas que partem ou, em inusitada reflexão, pensam na partida. O solilóquio que se segue é meio que irreal. converso com a morte sobre as razões da vida, da minha, da tua e de todos os que sofrem e sabem que há lugares, espaços, tempos em que as almas não mais sentem, não mais agonizam nas incertezas da vida.
Esta conversa com o Silêncio, com o caminho certo e inevitável da vida, parece uma dialética infinita e imprecisa que a mente curiosa realiza em momentos solitários. A aproximação do aniversário da vida nos aproxima do caminho certo da morte.
Que incomuns palavras escuto, que jogo travesso de palavras falo, parece um diálogo entre a consciência e a escuridão, mas não uma escuridão que existe no anjo do mal, nem a escuridão pela ausência da luz divina, mas sim a escuridão da ignorância humana.
É o que os anos fazem conosco, nos lembram o fim. O espelho reflete as rugas do tempo perdido, as cicatrizes que os caminhos deixaram no corpo. As lembranças nos cobram os erros e os anos nos mostram a finitude.
É o que os anos fazem conosco, nos lembram o fim. O espelho reflete as rugas do tempo perdido, as cicatrizes que os caminhos deixaram no corpo. As lembranças nos cobram os erros e os anos nos mostram a finitude.
Escuto o verbo do fim, a palavra final da vida e, sinto que meus passos me encaminham para o outro lado. Não agora! diz a voz em minha alma, mas a inevitabilidade do silêncio de minha alma traz um sorriso em meus lábios, um pulsar do sangue nas veias, um bater da máquina da vida, despertar da consciência da racionalidade, pois a morte certa traz a consciência da vida em meu corpo e do - nada a fazer - na alma.
DUCI MEDEIROS
sábado, 11 de maio de 2013
MÃE
AO VENTRE SER PREENCHIDO PELA SEMENTE DA VIDA
NÃO RECEBEMOS MANUAL JUNTO AO REBENTO.
OUVIMOS CHOROS E DENGOS
APRENDEMOS COM TENTATIVAS E ERROS.
O AMOR NOS CONDUZ
OS PASSOS SÃO INCERTOS,
MAS GUIADOS PELA SABEDORIA
DO AFETO INCONDICIONAL.
AS ESTRADAS DA VIDA
MUITAS VEZES CONFUNDEM
QUEM SOMOS; NÓS OU MÃES
ESQUECEMOS DO EU PARA SERMOS ELE.
NOS CAMINHOS TRÓPEGOS DO FILHO
ESTÃO TAMBÉM OS DA MÃE.
NOS PASSOS REBELDES E EGÓICOS DELE
ESTÃO MARCADAS NOSSAS PERDAS.
SABEMOS QUE A INDEPENDÊNCIA DELE
COINCIDE COM SUA PARTIDA
COMO SUAS DORES
DEIXAM EM NÓS CICATRIZES.
SER MÃE É MAIS DO QUE SER COLO
AMOR E ENSINAMENTO.
SER MÃE É DOAÇÃO E PERDA
ALEGRIA E DOR.
DUCI MEDEIROS
NÃO RECEBEMOS MANUAL JUNTO AO REBENTO.
OUVIMOS CHOROS E DENGOS
APRENDEMOS COM TENTATIVAS E ERROS.
O AMOR NOS CONDUZ
OS PASSOS SÃO INCERTOS,
MAS GUIADOS PELA SABEDORIA
DO AFETO INCONDICIONAL.
AS ESTRADAS DA VIDA
MUITAS VEZES CONFUNDEM
QUEM SOMOS; NÓS OU MÃES
ESQUECEMOS DO EU PARA SERMOS ELE.
NOS CAMINHOS TRÓPEGOS DO FILHO
ESTÃO TAMBÉM OS DA MÃE.
NOS PASSOS REBELDES E EGÓICOS DELE
ESTÃO MARCADAS NOSSAS PERDAS.
SABEMOS QUE A INDEPENDÊNCIA DELE
COINCIDE COM SUA PARTIDA
COMO SUAS DORES
DEIXAM EM NÓS CICATRIZES.
SER MÃE É MAIS DO QUE SER COLO
AMOR E ENSINAMENTO.
SER MÃE É DOAÇÃO E PERDA
ALEGRIA E DOR.
DUCI MEDEIROS
Asnos ou homens
Espero que o trovão da razão
Silencie a futilidade dos asnos.
Que a doçura da mudez
Adoce a vida da intrépida ignorância.
A criança que grita e exige
É a que a alma não aprende.
O corpo responde raivoso
A falta de sensatez.
A mão da providência
Abençoa o rebento que aprende
Como a natureza pune
O filho rebelde que teima.
A alma grita e teima
O corpo sangra e sofre.
Mas os asnos grunem
Se negam a aprender.
Mas quando aprendemos
Com as cicatrizes ou exemplos
Crescemos, amadurecemos
Deixamos de ser asnos
Para sermos homens.
Duci Medeiros
Silencie a futilidade dos asnos.
Que a doçura da mudez
Adoce a vida da intrépida ignorância.
A criança que grita e exige
É a que a alma não aprende.
O corpo responde raivoso
A falta de sensatez.
A mão da providência
Abençoa o rebento que aprende
Como a natureza pune
O filho rebelde que teima.
A alma grita e teima
O corpo sangra e sofre.
Mas os asnos grunem
Se negam a aprender.
Mas quando aprendemos
Com as cicatrizes ou exemplos
Crescemos, amadurecemos
Deixamos de ser asnos
Para sermos homens.
Duci Medeiros
sexta-feira, 3 de maio de 2013
DIA
O SOL TOCA MINHA FACE
AS PÁLPEBRAS ABREM AO DIA
A CONSCIÊNCIA DIZ QUE ESTOU VIVA
MEU CORPO SE RETORCE RECONHECENDO.
RECONHECE A ENERGIA E FORÇA
DO CORPO E DA VIDA,
REENCONTRA A MAGIA DO INESPERADO
AGRADECE O TODO NUM INSTANTE.
NO BRILHO DO SOL QUE SE ERGUE
VISUALIZO AS POSSIBILIDADES
ENCONTRO A ESPERANÇA
NAS JANELAS E PORTAS QUE SE ABREM.
ESCANCARO MINHA ALMA PARA O NOVO
DIGO AO UNIVERSO QUE ESTOU PRONTA
AGRADEÇO A NOITE DE DESCANSO
E O DIA DE RENOVAÇÃO.
DUCI MEDEIROS
AS PÁLPEBRAS ABREM AO DIA
A CONSCIÊNCIA DIZ QUE ESTOU VIVA
MEU CORPO SE RETORCE RECONHECENDO.
RECONHECE A ENERGIA E FORÇA
DO CORPO E DA VIDA,
REENCONTRA A MAGIA DO INESPERADO
AGRADECE O TODO NUM INSTANTE.
NO BRILHO DO SOL QUE SE ERGUE
VISUALIZO AS POSSIBILIDADES
ENCONTRO A ESPERANÇA
NAS JANELAS E PORTAS QUE SE ABREM.
ESCANCARO MINHA ALMA PARA O NOVO
DIGO AO UNIVERSO QUE ESTOU PRONTA
AGRADEÇO A NOITE DE DESCANSO
E O DIA DE RENOVAÇÃO.
DUCI MEDEIROS
terça-feira, 23 de abril de 2013
SAUDADE
A saudade é uma fonte
De água serena, azul e cristalina.
Onde sinto, vejo, reflito o teu rosto.
Tão em sentir a tua presença
Penso que estás aqui.
A saudade é um pouco de ti
Misturado em meu sangue.
Uma fonte de sonhos na minha vida.
É teu rosto estampado no dia, na noite.
As coisas todas são como um espelho
A refletir o teu semblante.
Longe de ti
Tudo fica triste a minha volta.
Meus olhos vagam na solidão
No vazio, ao longe, sem rumo.
Longe de ti
Me perco na saudade
Desapareço na multidão de meus sentimentos
Esqueço quem sou na imagem refletida
No vazio de tua presença.
DUCI MEDEIROS
De água serena, azul e cristalina.
Onde sinto, vejo, reflito o teu rosto.
Tão em sentir a tua presença
Penso que estás aqui.
A saudade é um pouco de ti
Misturado em meu sangue.
Uma fonte de sonhos na minha vida.
É teu rosto estampado no dia, na noite.
As coisas todas são como um espelho
A refletir o teu semblante.
Longe de ti
Tudo fica triste a minha volta.
Meus olhos vagam na solidão
No vazio, ao longe, sem rumo.
Longe de ti
Me perco na saudade
Desapareço na multidão de meus sentimentos
Esqueço quem sou na imagem refletida
No vazio de tua presença.
DUCI MEDEIROS
REFLEXÃO
Nos meus olhos a realidade é diferente
A eternidade é uma bandeira
Aberta ao céu azul dos sonhos.
Sem margens, destino ou história
O tempo que se esvai é glória
E o susto da realidade minha memória.
De antiga perfeição campestre,
Nas margens um unicórnio reluzente
Nos mares uma sereia ausente
E nos ares um condor contente,
Não por voar tão REAL e tão presente,
Mas por existir um tempo
De sereias, unicórnios e sonhos a sua frente.
Mais tarde esqueci de fechar os olhos,
O que ví foram corpos infantís jogados,
Adolescentes vendidas e dilaceradas,
Jovens marginais e dopados,
Velhos cansados e maltratados.
Como relâmpago fechei as pálpebras
Para o mundo diante de mim.
Fez-se constante um pensamento errante
Unindo os tempos e a eternidade dos sonhos
O vento desatado da vertente
Fez sem solução a questão presente.
Sem solução de amor e de unidade
Dos sonhos com a realidade.
DUCI MEDEIROS
A eternidade é uma bandeira
Aberta ao céu azul dos sonhos.
Sem margens, destino ou história
O tempo que se esvai é glória
E o susto da realidade minha memória.
De antiga perfeição campestre,
Nas margens um unicórnio reluzente
Nos mares uma sereia ausente
E nos ares um condor contente,
Não por voar tão REAL e tão presente,
Mas por existir um tempo
De sereias, unicórnios e sonhos a sua frente.
Mais tarde esqueci de fechar os olhos,
O que ví foram corpos infantís jogados,
Adolescentes vendidas e dilaceradas,
Jovens marginais e dopados,
Velhos cansados e maltratados.
Como relâmpago fechei as pálpebras
Para o mundo diante de mim.
Fez-se constante um pensamento errante
Unindo os tempos e a eternidade dos sonhos
O vento desatado da vertente
Fez sem solução a questão presente.
Sem solução de amor e de unidade
Dos sonhos com a realidade.
DUCI MEDEIROS
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