sábado, 28 de fevereiro de 2015

RUBRO SANGUE



Quero a cor do rubro sangue
Que alimenta a vida
Que banha o horizonte no poente
Que ferve dentro da gente.

Ela sobe a cabeça
Para alimentar a leoa
Fazer crescer a força
Espantar a escuridão da moça.

O sangue que desce
Suave pela face
A lágrima adormece.

Quero que essa cor
Traga o amor
Leve embora a dor.

DUCI  MEDEIROS

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Poesia


Doce afago do vento
Suave calor de um sorriso
Timbre adocicante de uma gargalhada
Toque suave de um beijo.

Poesia
Conversa ao pé do ouvido com a natureza
Diálogo silencioso com a alma
Solilóquio inquietante com o tempo
Monólogo silencioso com as emoções.

Poesia
Onde o passado se apresenta
O presente borbulha
E o futuro mostra sombras.

Poesia
Verdade que toca o espírito
Desvenda as dores
Suaviza os silêncios.

Poesia
Fala-me teus segredos
Conta-me meus mistérios
Atualiza-me os meus desejos.
Silencia minhas dores.

Poesia
O que és tu?
És apenas a voz do mundo
Ou o silêncio do homem?
DUCI MEDEIROS

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

CAVERNAS DAS LEMBRANÇAS



Quando a cortina do tempo descer sobre o teatro da vida
Quando as rugas das dores fincarem residência em minha alma
Quando as raízes da fé não mais germinarem
Quando a luz da esperança não iluminar meu coração.

A dor se sentirá em casa
As lágrimas desenharão caminhos em minha face
O silêncio fará eco no espírito desolado
E o corpo, sem força, geme.

Neste alvorecer, a tempestade nubla o futuro.
A escuridão apaga as possibilidades
Os trovões ensurdecem a voz da infância
Os relâmpagos iluminam o deserto da dor.

Por que lutar?
Desistir é fácil...
Mas os suspiros da fé
Fazem brilhar o arco íris da esperança.

Nas cavernas das lembranças
Ressuscito a voz da sabedoria
Encontro rasgos de energia
Para resistir  ao vazio.

Nestas cavernas das lembranças encontro 
O sussurro da inocência
O néctar do sorriso
A doçura da esperança.
 DUCI MEDEIROS

domingo, 14 de dezembro de 2014

DESPEDIDA

Um lenço ao vento
Uma lágrima na face
Uma dor na alma
Um coração partido
Assim é a despedida.

Uma lembrança que se apaga
Um amigo que se afasta
Um amor que se perde
Um lugar que se esquece
Assim é a despedida.

Um falar entre silêncios
Um olhar desviado
Um sorriso que se apaga
Uma palavra que se cala
Assim é a despedida.

Um adeus ao que se aprecia
Uma vontade de ficar que me guia
Um instante de dúvida que nos invade
Um abismo que cresce e nos evade
Assim é a despedida.

O dia que vai
A infância que parte
A paixão adolescente se desapercebe
A visão da beleza que  se despede
Assim é a despedida.

Toda partida
Anuncia uma chegada
Assim como a morte
Promete um renascer
Adeus, doce e certa despedida.
DUCI MEDEIROS

sábado, 8 de novembro de 2014

QUE

Que meus passos incertos sejam acompanhados por Ele
Que minhas quedas deem-me cicatrizes E aprendizagem
Que meus obstáculos sejam impostos pela vida para meu crescimento
E não por meus medos e covardias.
Que minhas lágrimas sejam companheira dos sorrisos
Que meus pesadelos sejam seguidos de um dia ensolarado.
Que as tempestades acompanhem arco-íris
Que as nuvens das incertezas dispersem-se na luz da fé.
Que a criança que chora em mim seja acalentada pela mulher confiante.
Que a adolescente maluquete seja sacudida pela adulta firme.
Que os sonhos escondidos sejam revelados pela verdade do trabalho.
Que a vida cotidiana seja iluminada pela esperança
Que o amanhã seja a colheita de um hoje possível
Que o hoje possível não derrote minhas forças
Que minhas forças tenham recargas de alegrias
Que as alegrias sejam compartilhadas.
Que com quem compartilho alegrias também as sintam verdadeiramente.
Duci Medeiros

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CAMINHO

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher."
Cora Coralina

Caminho pelo caminho da dor,
Mas a lágrima me fortalece.
Caminho pela estrada da solidão,
Mas a multidão que há em mim me preenche.
Caminho pelo vale da fé,
Mas a dor faz surgir a lágrima e a dúvida.
Caminho...caminho...caminho
Espero que a ação de caminhar
Me leve a algum lugar.
Duci

sábado, 18 de outubro de 2014

MINHA CONSORTE

Socializo aqui,  um texto  de um anjo, amigo e aluno que demonstra aptidão para as letras e, principalmente para a literatura. Alma doce, espírito forte e fala sensível. Alexsandro Messias



Minha agonia prende a garganta,
Falta de ar é o seu troféu,
A destruição é essência do seu mar de fel.
A minha submissão é resultado do seu trabalho.

Minha vida é a conclusão dos seus atos
O sarcasmo é lança que perfura o coração
A dor sinfonia da razão
As lágrimas são o bálsamo da emoção.

O suspiro é o alivio da calma.
A desilusão é cessar o fôlego da alma.
A morte, mel dos meus lábios
Meu desejo afável
Meu doce amargo.

Desejada, cortejada, amada
Meu delírio, o meu declínio
A minha sorte? A Morte.
Ela será... minha consorte.  
Alexsandro Messias